Dia Internacional da Lembrança do Holocausto: por que devemos falar sobre a data?

Dia Internacional da Lembrança do Holocausto: por que devemos falar sobre a data?
27 de Janeiro é o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto (Photo by Benny Rotlevy / Unsplash)

No dia 27 de janeiro de 1945, as tropas soviéticas chegavam a Auschwitz (Polônia) e libertavam milhares de prisioneiros do maior e mais cruel campo de concentração nazista.

Em 1 de novembro de 2005, a Assembleia Geral das Nações Unidas designou essa data como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto (ou Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto) com o objetivo de nunca deixar a tragédia cair no esquecimento da população mundial.

Segundo a ONU, o Holocausto foi a virada de chave na história responsável por fazer com que o mundo dissesse "nunca mais", tornando o dia 27 de janeiro uma das peças fundamentais para manter viva essa lembrança dos crimes do passado, impedindo que se repitam no futuro.

O que foi o Holocausto?

Durante a Segunda Guerra Mundial, o regime nazista era guiado por uma ideologia supremacista que acreditava na tal "raça ariana". Isso acarretou a perseguição e a morte de milhares de pessoas consideradas inferiores — seja por razões ideológicas, comportamentais ou políticas, causando a dizimação de ciganos, poloneses, homossexuais, comunistas e, em sua grande maioria, judeus.

O nazismo foi responsável pelo desenvolvimento dos campos de concentração, onde todos esses grupos eram obrigados a viver pelo trabalho forçado e, posteriormente, vivenciavam o extermínio nas câmaras de gás.

Muitos anos já se passaram e até hoje não se sabe o número preciso das vítimas do Holocausto, mas estima-se que ao menos 45 milhões de pessoas pereceram, segundo o portal Yad Vashem. De acordo com o United States Holocaust Memorial Museum, a polícia nazista deportou, no mínimo, 1.3 milhão de pessoas só para o complexo de Auschwitz entre 1940 e 1945, e exterminou 1.1 milhão.

Leituras para informação e aprofundamento no assunto

É extremamente importante manter-se informado sobre um tema como este, evitando que ele se repita. Por isso, o Skeelo separou algumas dicas de livros que podem ajudar no aprofundamento do assunto. Confira a seguir:

O diário de Anne Frank, de Anne Frank | Edições Best Bolso

Sinopse: 12 de junho de 1942 – 1º de agosto de 1944. Ao longo deste período, a jovem Anne Frank escreveu em seu diário toda a tensão que a família Frank sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. Ao fim de longos dias de silêncio e medo aterrorizante, eles foram descobertos pelos nazistas e deportados para campos de concentração. Anne inicialmente foi para Auschwitz, e mais tarde para Bergen-Belsen. A força da narrativa de Anne, com impressionantes relatos das atrocidades e horrores cometidos contra os judeus, faz deste livro um precioso documento. Seu diário já foi traduzido para 67 línguas, e é um dos livros mais lidos do mundo. Ele destaca sentimentos, aflições e pequenas alegrias de uma vida incomum, problemas da transformação da menina em mulher, o despertar do amor, a fé inabalável na religião e, principalmente, revela a rara nobreza de um espírito amadurecido no sofrimento.

O tatuador de Auschwitz, de Heather Morris | Planeta

Sinopse: Nesse romance histórico, um testemunho da coragem daqueles que ousaram enfrentar o sistema da Alemanha nazista, o leitor será conduzido pelos horrores vividos dentro dos campos de concentração da Alemanha nazista e verá que o amor não pode ser limitado por muros e cercas. Lale Sokolov e Gita Fuhrmannova, dois judeus eslovacos, se conheceram em um dos mais terríveis lugares que a humanidade já viu: o campo de concentração e extermínio de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial. No campo, Lale foi incumbido de tatuar os números de série dos prisioneiros que chegavam, trazidos pelos nazistas – literalmente marcando na pele das vítimas o que se tornaria um grande símbolo do Holocausto. Ainda que fosse acusado de compactuar com os carcereiros, Lale, no entanto, aproveitava sua posição privilegiada para ajudar outros prisioneiros, trocando joias e dinheiro por comida para mantê-los vivos e designando funções administrativas para poupar seus companheiros do trabalho braçal do campo. Nesse ambiente, feito para destruir tudo o que nele tocasse, Lale e Gita viveram um amor proibido, permitindo-se viver mesmo sabendo que a morte era iminente.

Heather Morris tem mais dois livros sobre o assunto: A viagem de Cilka e Três irmãs também estão disponíveis na Skeelo Store.

A bailarina de Auschwitz, de Edith Eva Eger | Sextante

Sinopse: A bailarina de Auschwitz é a história inspiradora e inesquecível de uma mulher que viveu os horrores da guerra e, décadas depois, encontrou no perdão a possibilidade de ajudar outras pessoas a se libertarem dos traumas do passado.
Edith Eger era uma bailarina de 16 anos quando o Exército alemão invadiu seu vilarejo na Hungria. Seus pais foram enviados à câmara de gás, mas ela e a irmã sobreviveram. Edith foi encontrada pelos soldados americanos em uma pilha de corpos dados como mortos.
Mesmo depois de tanto sofrimento e humilhação nas mãos dos nazistas, e após anos e anos tendo que lidar com as terríveis lembranças e a culpa, ela escolheu perdoá-los e seguir vivendo com alegria. Já adulta e mãe de família, resolveu cursar psicologia.
Hoje ela trata pacientes que também lutam contra o transtorno de estresse pós-traumático e já transformou a vida de veteranos de guerra, mulheres vítimas de violência doméstica e tantos outros que, como ela, precisaram enfrentar a dor e reconstruir a própria vida.
Esse é um relato emocionante de suas memórias e de casos reais de pessoas que ela ajudou. Uma lição de resiliência e superação, em que Edith nos ensina que todos nós podemos escapar à prisão da nossa própria mente e encontrar a liberdade, não importam as circunstâncias.

Última parada: Auschwitz - Meu diário de sobrevivência, de Eddy de Wind | Planeta

Sinopse: Eddy de Wind chega a Auschwitz em 1943 com sua esposa, Friedel. Ele é médico e ela é enfermeira. Lá, eles são separados. Friedel vai para o Bloco 10, onde ficam os prisioneiros destinados aos cruéis experimentos médicos do Dr. Mengele. Eddy vai para o Bloco 9, onde trabalha ajudando a cuidar de prisioneiros políticos. Quando a Alemanha está prestes a perder a guerra e os russos se aproximam de Auschwitz, os nazistas fogem do campo. Em uma tentativa de cobrir seus rastros, mandam os prisioneiros sobreviventes, entre eles Friedel, a caminhar em direção à Alemanha. Mais tarde, essas caminhadas foram chamadas de Marchas da Morte. Eddy conseguiu se esconder e ficou no campo, a espera dos russos. Lá, com a memória fresca, começou a escrever sua rotina diária. Descreveu em detalhes as atrocidades que presenciou e o que ouviu de outros prisioneiros, inclusive da mulher. Até hoje, este é o único livro inteiramente escrito dentro do campo de concentração.

É isto um homem?, de Primo Levi | Rocco

Sinopse: Primo Levi traz um relato autêntico da experiência em campos de concentração; este livro é o depoimento pessoal de uma situação impessoal. Deportado em 1944 para Auschwitz, Levi sobreviveu. Dos 650 judeus deportados com ele, no entanto, sobraram apenas três. O dia a dia de trabalhos pesados, humilhações e assassinatos encarregou-se de desumanizar e reduzir a algo inqualificável o que era antes um homem digno de tal nome. É isto um homem? não é, no entanto, apenas mais um livro sobre os horrores da Segunda Guerra. Tampouco uma obra encharcada em ódio, incapaz de fazer vingar qualquer racionalidade. Nela Primo Levi faz a apologia de uma das teorias que lhe eram mais caras. A de que "a ação humana só pode ser julgada individualmente, caso a caso". Perdidos naquela babel, os judeus encontravam como algozes homens igualmente indistinguíveis. Tão inacessíveis que se tornavam inodiáveis. Dotado de uma lucidez impressionante, Primo Levi compõe com elegância e disciplina um dos marcos da literatura de seu tempo.

As costureiras de Auschwitz, de Lucy Adlington | Planeta

Sinopse: Costureiras aprisionadas faziam vestidos para as mulheres dos oficiais nazistas. A história real de mulheres judias que, para sobreviver, costuravam em uma oficina de moda dentro de Auschwitz, instalada pela esposa do comandante do campo de concentração. No auge do Holocausto, 25 jovens presidiárias do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau foram selecionadas para desenhar, cortar e costurar roupas de luxo para as mulheres de guardas e oficiais nazistas. O trabalho era feito em uma oficina de costura instalada dentro de um dos maiores campos de extermínio da Segunda Guerra Mundial. O ateliê foi fundado por Hedwig Höss, a esposa do comandante de Auschwitz. Com base em diversas fontes, incluindo entrevistas com a última costureira sobrevivente, As Costureiras de Auschwitz revela o trabalho e o destino dessas mulheres que cerziam, na esperança de serem salvas das câmaras de gás. Lucy Adlington investiga a vida de "costureiras que desafiaram as tentativas nazistas de desumanizá-las e degradá-las, formando os mais incríveis laços de amizade e lealdade". Esses laços não apenas as ajudaram a suportar a perseguição, mas, também, a desempenhar um papel na resistência no campo. Assim, a autora oferece um novo olhar sobre um capítulo pouco conhecido da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto.

Curtiu o conteúdo? Leia também outros artigos do Blog do Skeelo.

30 anos de Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha

Como surgiu o Setembro Amarelo

Luto: confira 6 livros que abordam o tema

Acompanhe nossas redes sociais, estamos presentes no Facebook, Instagram, Twitter, Telegram e YouTube.