“Fanfiqueira e com orgulho!”: Babi Dewet fala sobre sua trajetória como escritora de fanfics aos livros publicados

“Fanfiqueira e com orgulho!”: Babi Dewet fala sobre sua trajetória como escritora de fanfics aos livros publicados
Babi Dewet começou sua carreira como escritora de fanfics (Foto: Acervo Skeelo)

Encerrando o Skeelo Talks de sexta-feira, Paulo Ratz recebeu Babi Dewet para o bate-papo “De fã a escritora: como transformar as ideias em livros e um pouco sobre o universo de fanfics”. Babi Dewet é autora dos livros Sonata em Punk Rock, Allegro em Hip-Hop, Um Ano Inesquecível, K-Pop: Manual de Sobrevivência e uma infinidade de outros títulos que podem ser encontrados no aplicativo do Skeelo e na Skeelo Store.

A conversa começou com Paulo perguntando sobre a influência da música nas obras de Babi, já que seus livros e contos trazem essa temática de maneira muito presente. “Eu cresci em uma família de músicos e não sei cantar, não sei tocar nenhum instrumento e não tenho nenhum talento musical. Mas como vim dessa família, sempre foi muito natural contar histórias com uma música de fundo. Cresci um pouco frustrada por não ter esse talento musical. Não era uma frustração ruim, mas sim querer ter aquela experiência”, explica. “Os livros foram uma forma de viver essa vida. A música, para mim, também é uma contação de história.”

Entrando no assunto de fanfics, Babi revelou que foi dessa forma que aprendeu a escrever e contar histórias. “Eu morava no interior de Goiás, era muito fã de Harry Potter e não tinha com quem conversar sobre o assunto. Nós tínhamos uma internet muito ruim lá em casa, mas foi nessa internet que eu descobri um fórum sobre Harry Potter e que lá elas contavam outras histórias desse universo. E foi assim que eu percebi que podia fazer isso também, descobri essa liberdade de explorar universos que eu já gostava”, relembra.

Mesmo criando essas histórias, Babi conta que nunca pensou ser capaz de sair do universo de fanfics e ir para o mundo dos livros publicados. “Até que eu comecei a receber comentários de pessoas que imprimiam as minhas histórias para ler, foi aí que eu percebi que eu era uma escritora. Não existe faculdade para ser escritor, não sei onde começa, mas ninguém ensina para a gente como faz. Sinto que só estou aqui porque eu tentei fazer sozinha, vendo no que ia dar”, diz. A autora conta que costumava frequentar a Bienal do Livro com exemplares próprios impressos para tentar contato com as editoras e que, atualmente, tenta ajudar escritores de fanfics a conseguirem o mesmo que ela conseguiu. “São pessoas que escrevem por puro prazer, não é um trabalho, mas tem muita gente ali dentro que gostaria de ser profissional”, explica.

Paulo pergunta como Babi lida com a questão da ansiedade pessoal e das cobranças de entrega de produção. “Temos essa coisa do imediatismo, se lancei meu conto agora e ele não vendeu absurdos agora significa que sou uma falha, uma fraude. E não é assim, gente. Cada um tem seu tempo. É comum a gente se comparar com os outros, mas é um trabalho diário evitar fazer isso”, desabafa.

Com o desenrolar da conversa, Babi se emociona ao lembrar do momento em que foi convidada para fazer parte da criação do livro Um ano inesquecível, escrito com Paula Pimenta, Thalita Rebouças e Bruna Vieira. “Sempre fui grande consumidora de livros de autores brasileiros e em todas as Bienais eu comprava muitos livros. Foi por conta desses eventos em que eu ia falar com as pessoas que eu gostava dos livros delas e mostrar os meus livros, uma das editoras lembrou de mim porque ela tinha lido um dos meus livros independentes porque eu enchi o saco dela”, recorda com bom humor. “Eu fiquei em choque quando ela me convidou para fazer parte desse livro, era alguém dando uma valorização de tudo que eu estava fazendo naquele momento. Foi muito mágico e é um dos meus contos favoritos e um dos que eu tenho mais carinho justamente por causa disso.”

Um Ano Inesquecível será adaptado para streaming e o conto de Babi será dirigido por Lázaro Ramos. Paulo perguntou como foi para Babi, graduada no curso de cinema, ver sua ideia saindo do papel e parando em um set de filmagem. “Queríamos fazer algo muito especial e foi surreal, uma bola de neve infinita de emoções. Eu recebi o primeiro contato entre as produtoras e a editora para eles me conhecerem, não são muitos autores que têm acesso a produção da adaptação de seus livros. Eu tive essa oportunidade muito legal e fui sortuda diversas vezes”, conta. “Sobre o Lázaro, minhas amigas estão de prova, eu sonhei que ele dirigia esse filme. Perguntei para o meu produtor se seria possível e ele me enganou muito bem, dizendo que não. Alguns dias depois me levaram para conhecer o set de filmagem e me apresentar o diretor, e quando eu vi que era ele, eu surtei. O Lázaro super abraçou as ideias, ele se animou muito. No fim, a adaptação está muito melhor do que o que eu escrevi.”

Para encerrar a mesa, Paulo abriu uma rodada de perguntas da plateia e, em seguida, deu início à sessão de autógrafos.

Confira o bate-papo completo: